“O Mário Bortolotto é a cara do Roberto Jefferson.” Assim, Belisa Figueiró, repórter da Revista, definiu a nova fase do dramaturgo, que pintou o cabelo para viver Alex Antunes em “Augustas”. Ele que nunca saiba disso… Ninguém gostaria de ser comparado ao Bob Jeff.
Para você, caro amigo que pensa em fazer cinema um dia, digo só que dá muito trabalho. Dou um exemplo: há uma cena no filme que a mocinha liga para o mocinho (se o filme tivesse mocinho e mocinha, claro). Para fazer os 10 segundos em que ela deixa o recado na secretária eletrônica, e só aparece a secretária, foram gastos cerca de 30 min, sem brincadeira.
Enquanto isso, Mário dormia no set.
Arquivado em: Pra onde esse post vai?
Ontem fui até a paradaria que fica aqui perto da Revista para comprar Carolinas para Heitor Augusto e paõ de queijo para mim. Pela rua que passo todos os dias, tanto para ir ao trabalho, como de lá para a padaria, existe uma casa muit bonitinha, com o portão e calçada vermelhos. Além de um segurança.
O tal segurança me chama de gostosa e outras coisas todos os dias. Além de barulhos estranhos, que não consigo resporduzir com onomatopéias. É uma situação muito desconfortável, que você amiga, deve conhecer.
O problema é ainda pior porque não foi só uma vez. O cara me vê todo dia, sabe meus horários. Não sou uma pessoa qualquer, que ele nunca mais vai ver na vida. Céus, o que ele tem na cabeça? Desculpem os termos, mas será que ele realmente acha que vai me comer?
Ontem, nao pude mais fingir que nada acontecia. Não tava a fim de passar por esse constrangimento e ficar sem me defender. Parei na calçada:
- Você é idiota? Não tem noção de que é ridículo o que tá fazendo?
- Não to mentindo, só falo o que é verdade.
- Então, brother, acho que você deveria tomar cuidado com quem fala e o que fala. A gente nunca sabe que tipo de gente anda na rua.
E saí muito puta da vida.
Cheguei na redação e contei para as pessoas na minha sala. Belisa, muito legal, comenta:
- Parece que ali é a produtora do Hermano Penna.
Conheci o Hermano Penna no festival de Atibaia em 2006. Foi muito gentil e simpático. Preciso ter uma conversinha com o Hermano…
Começaram ontem as filmagagens do longa-metragem do Chiquinho, o “Augustas”. Cheguei ao bar na Augusta, onde o protagonista toma café, almoça, janta e faz reuniões, às 7h40, quando o circo já estava montado. Ensaio 1 e 2, depois se grava.
Me acompanhava Heitor, meu amigo da Revista.
Post rápido – hoje as gravações na são do lado jardins…
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O chefe liberou mais cedo na véspera do feriado.
boa páscoa
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ganhei o maior abraço do mundo. a noite, quando cheguei, ganhei um colo e parece que um amigo.
Certa vez, coloquei num post do outro escravo o seguinte trecho do livro Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino:
“O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdôo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.”
Algumas coisas mudam a vida das pessoas. Esse trecho me fez mudar por duas razões: primeiro comecei a entender que as pessoas podiam fugir, como ele, e não era culpa minha. Depois de enfiar o dedo na cara, entendi que nem sempre eu ficava até o fim também. E se ele não disse quando teve a oportunidade, hoje eu tento dizer às pessoas o quanto as amo. E a Tai é abrangente quando o verbo é amar. Mas esse não é o foco.
Semana passada estava andando na frente do Conjunto Nacional e cruzei com Marçal Aquino. Olhei para ele, com aquela barba espessa e lembrei na hora do tal do parágrafo, diminui o passo, quase parei. Ele percebeu minha cara surpresa e diminuiu o passo, não tanto quanto eu.
Em comum, Marçal e eu temos as palavras. Cada um do seu jeito, um fazendo literatura, a outra jornalisteando*. O primeiro cria, o segundo pensa fatos/dados. Ele ganhando dinheiro, e eu freelando por menos de dois salários mínimos. Mas as palavras são nossas para mostrar aos outros, apesar dos outros dele serem mais numerosos que a dúzia de amigos que lêem o Escravo.
Tai, foco.
Ele foi embora, deve ter esquecido isso. E eu fico pensando na minha responsabilidade como jornalista. As palavras do Marçal, apesar de simples, me pegaram, fizeram diferença. E as minhas? O quanto eu vou fazer diferença na vida das pessoas? Vou ganhar o troféu Trip Transformadores? Não preciso ganhar, ok, mas seria tão legal saber que o trabalho não é em vão.
Sei que jornalismo não muda o mundo, mas muda um pouquinho cada pessoa. Eu fico feliz que o rádio possa te dar uma rota alternativa. Assim, você chega em casa mais cedo para: ver a novela, conversar com o seu marido, tomar uma cerveja com os amigos, contar o dia para mãe, ajudar os filhos com a lição de casa, ler, dormir, comer, arrumar a casa, colocar as pernas para cima e pensar na vida. E fico feliz de saber usar palavras.
bjsmeliga
Será que o Marçal percebeu ou foi paranóia minha? Ele sabe que fez diferença pra alguém?
*O verbo jornalistear foi criado pela Karina Sérgio Gomes.
Arquivado em: Sonhando
Sonhos são estranhos, simples assim.
Na última semana, antes de colocar o blog aqui, estava conversando com a Mari sobre mais um sonho estranho. Na real: estava e casa e tinha um alarme de carro na Paulista que tocou a noite toda. No sonho: era o alarme da casa da minha mãe, onde eu estava com fotos tipo Harry Potter (que se mexem). A porta tinha sido arrombada e o ladrão era um ex-namorado.
Contei o sonho e a Mari responde: adoro a intertextualidade entre o real e o onírico.
Sábado de manhã. Acordo falando alô no celular, sonhando que Gilberto Maringoni estava me ligando pra dizer que estava atrasada pra aula. Tinha perdido a aula dele na sexta. Nem sempre essa intertextualidade é tão legal.
Ps: O primeiro comentário que eu recebi aqui no blog foi do Felipe Mortara, mas apaguei por engano.
Pessoas! Fico feliz que vocês estejam vendo/lendo o escravo em sua nova fase. Como o edior do uol é muito ruim, e eu acho que meu blog podia ser melhor, resolvi coloca-lo aqui.
O escravo é um espaço muito querido, onde compartilho um pedaço da minha vida com os amigos, que nem sempre estão próximos, mas que são muito importantes. No blog, aprendi a escrever melhor e tive ideias maravilhosas, graças a participação de vocês. Fiquei mais inteligente, mais engraçada, mais esperta. Tava precisando, né? Mas ainda não é suficiente… bem, deixo essa crise para outro post.
Um pouco de história<br>O escravo foi criado em 2006, quando Tonollica estava na fase Vinicius de Moraes. O nome surgiu de horas de pesquisa em suas poesias. Escravo da rosa, é o cravo do poema Rancho das Flores:
E reparem no cravo
O escravo da rosa
Que flor mais cheirosa
De enfeite sutil
Minha flor favorita é a tulipa, mas não sei se ela é capaz de amar como o cravo. E eu, como diz srta. Camila Mamede, conjugo o verbo amar da forma mais ampla.
Escrever nunca foi um hobby. Não fui fazer jornalismo porque gostava de escrever, mas o blog me dá mais ânimo. Talvez porque peça textos curtos, e tentar falar tudo o mais rápido possível é muito bom para jornalistas. Isso aqui é um bom exercício para mim.
Mais do que palavras, o blog é uma forma de contar as coisas que eu quero, umas mais e outras menos importantes. E a vida é assim. Como disse a Mônica Bergamo, “eu não tenho vinte notícias bombásticas por mês”.
Enfim, temos escravo novo, and I hope you like it.
