Arquivado em: Filminhos, Rogério, eu te amo | Tags: Cid Nader, Helena Ignez, Julio Bressane, Nome Próprio, Rogério Sganzerla, tcc
Sempre gostei de cinema, mas não tinha sala na minha terra. Então para ver qualquer filme, era sempre um programa que consumia um dia quase inteiro. Incluia Baked Potato ou McDonalds (que anos depois virou meu arroz e feijão, comida de todo dia), passeio no shopping e as amigas. Como mamãe tinha mais o que fazer do que me levar ao cinema, aproveitava o programa completo uma vez por mês. Naquela época, não conhecia (nem acho que era o caso, porque eu não ia entender nada mesmo) o circuito de arte da minha atual vizinhança. Mesmo assim, me apaixonei por cinema, nem que o filme seja ruim.
Sala escura, celular no vibra em plena tarde de dia útil. Ai, é melhor que chocolate… O pouco tempo em que se esquece de quem é e entra na vida de outra pessoa é fantástico. Quantas vezes saí do cinema chorando pelo amor que alguém perdeu, pelo amigo dele que morreu, ou contagiada pela alegria de quem viu o outro sorrir.
Ah, o cinema. É pra lá que eu corro quando tudo está perdido. E em tempos de solidão paulistana, contando regressivamente (48), tenho me enfurnado em salas. Este mês começou com o Festival Latino, em que vi bons filmes – isso é uma recomendação para o próximo ano – e depois estive na mostra Helena Ignez – A Mulher do Bandido. Gente, ela é genial. Reconhecida internacionalmente (mais do que por aqui, óbvio), Helena tem uma interpretação única, forte, que consegue dar a personagem uma força absurda, que o cinema da época (falo do Cinema Novo) não previa. Mas ela encontrou Rogério Sganzerla (e outros bons diretores), que lhe deram papeis a altura. Detaque: A Mulher de Todos (1969), de Rogério e Cara a Cara (1967), primeiro longa de Julio Bressane. Uma pena que seja tão difícil ver esses filmes.
Aí, pensando em cinema, e neste escravo, que anda meio esquisito (cabeça voando, típico dos apaixonados), fui ler cinema. Obviamente, cheguei ao blog do Cid Nader, amigo querido e cinéfilo mais do que qualquer um que conheça. Cada conversa com ele foi uma aula de crítica (descompromissada, imparcial, reflexiva, bem como deveria ser). Cid! Foi seu aniversário! parabéns, querido.
Aí, no blog do Cid, comentei o seguinte (tinha a ver com a postagem, mas acho que dá para entender o comentário):
“Ainda estudando jornalismo, – ou seja, sou tão negligenciada como a imprensa independente -, o que mais me preocupa é a mania que os grandes (pequenos) veículos tem de se pautarem uns pelos outros. E a opinião, principalmente a crítica, acaba massificada. Ora, se o grande jornal 1 não gostou, não podemos gostar também. E sobre adorar os mesmos cineastas, bem… andei pela mostra da Helena Ignez no Cinesesc, e posso dizer que o filme que mais me impressionou no último ano foi Cara a Cara, produzido por Julio Bressane em 1967. Sim, temos que continuar venerando os velhos cineastas..
um bj. foi ótimo te ver ontem.”
Mudando de assunto, tem um fime aí para o qual eu chamo a atenção: Nome Próprio, de Murilo Salles. Vi na Mostra no ano passado, e não foi meu filme favorito. Mas tem suas qualidades. Conversando por aí, percebi que todo mundo gostou bastante. Mereceu até uma matéria muito legal no Metrópolis hoje (ontem para quem lê, porque já é tarde) e um texto ótimo do O Ricardo Calil (que faz falta na Bravo, viu…). Apesar de não ser o meu favorito, concordo com o Calil quando diz que há muito tempo não se vê uma atuação como a de Leandra Leal. A respiração dela incomoda, te leva pro filme. Camila (a personagem) é alguém que se joga, se joga demais. Isso é o que não gosto nela, mas dá vontade de colocar no colo, de falar que não precisa tanto.
O filme é assim: Camila quer ser escritora, e tem um blog. Aí, ela começa a expor a vida na tal blog de uma maneira louca, fala tudo o que quer, conta detalhes de seus sentimentos. Camila é intensa. E o filme vai te jogando para uma série de discussões, questões íntimas, mas que todo mundo tem. Pensando sobre o filme, acho que gosto mais dele. Enfim, vale a pena o ingresso.
E falei aqui da estréia do Nome Próprio porque mais do que um filme, ele representa, em parte, a situação atual do cinema brasileiro. Foi feito com 1,3 mi e sabemos que é muito pouco para um filme. Não há dinheiro para divulgação no horário nobre da TV Globo, então, nem todo mundo vai saber que está em cartaz. E o pior é que: se o filme não atingir um número X de espectadores no primeiro fim de semana, sai de cartaz. Acho que foi a notícia mais absurda dos últimos tempos. Coisas assim fazem nosso cinema morrer. Então, se você não tem nada para fazer no sábado a tarde ou no domingo a noite, compareça ao cinema, veja Nome Próprio, e saia da sala com a certeza de que viu um bom filme, que propõe uma discussão inteligente. Certamente, se você tem entre 15 e 32 anos, o filme vai trazer alguma reflexão pra sua vida.
Bem, recados dados. That’s all folks. lov ya
3 Comentários até o momento
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Dica anotada. E fiquei com muita vontade de ver, principalmente por causa da Leandra Leal. Ah, Leandra Leal…
E o engraçado é que é justamente ela que interpreta a blogueira, né? Ano retrasado, eu acho, ela se meteu em uma polêmica com o Manoel Carlos porque ficou reclamando dele no blog. Aí o pessoal descobriu e ficou o maior climão na gravação de “Páginas da Vida”…
Comentário por Fábio 18 Julho 2008 @ ---Para mim, cinema é uma experiência lisérgica, até quando o filme é ruim. Parece que, por alguns momentos, alguns fragmentos do mundo tomam forma e fazem sentido.
Beijos
Comentário por Stefanie 20 Julho 2008 @ ---oiiiiiiiiiiii tudo bem foi legal ver vc
Comentário por rosinha 23 Julho 2008 @ ---