Escravo da Rosa


Caio Tulio Costa no Roda Viva – parte I

O Roda Viva de ontem, apresentado pela Lilian Witte Fibe, (é, aquela que teve um ataque de riso), recebeu o Caio Tulio Costa, diretor-presidente do Internet Group, braço de internet da Brasil Telecom (responsável pela operação dos portais iG, iBest e BrTurbo). É autor dos livros O que é Anarquismo (1981), Cale-se (2003) e Ombudsman – O Relógio de Pascal (1991; reeditado em 2006). No último mês de junho, defendeu seu doutorado: “Moral Provisória – Ética e jornalismo: da gênese à nova mídia”. É ainda professor de Ética jornalística da Fundação Cásper Líbero, em São Paulo.

A primeira pergunta veio de Lilian, que anda muito precoupada com o fato de muitos jornalistas fazem puiblicidade em suas matérias. A conversa foi e voltou a esse mesmo assunto. O que é uma pena, porque sobre ética, Caio Tulio tinha coisas mais interessantes a dizer.

Sobre a publicidade, Caio explicou que o jornalismo “é compatível desde que o leitor saiba o que está acontecendo. A publicidade faz parte do nosso negócio da comunicação. [O departemento comercial e o de jornalismo] não sabem uns dos assunto dos outros. E a população já sabe o que é um “informe publicitário”. Nossa questão é moral, mas não temos como fugir da indústria”.

Mário Sérgio Cortella, aquele que filosofo da PUC que tá em todas (Cortella, o filósofo mais pop do Brasil!), afirmou que “se há lucro, a sujeira se faz presente”. Caio tulio se defendeu dizendo que “há bons profissionais em todas as áreas, assim como no jornalismo”. Terminou falando que salários precisam ser pagos, mas nem por isso o jornalista deve se corromper. “Mas acontece”.

Daí, para se falar da posição do jornalista quando a empresa tem interesse foi um pulo. Este era o momento de colocar o sr. Caio Túlio na parede, o que não foi feito. Depois do desentendimento com Paulo Henrique Amorim, ninguém tocou no assunto. Foi esquecido ou o quê? Não é possível que todo mundo seja amiguinho do Caio Túlio, ou é? Não estou nem puxando sardinha pro lado do Amorim, de quem particularmente gosto, mas essa era uma boa oportunidade dele se defender. Há um acordo sobre o que pode ou não ser perguntado? Gisele Bundchen só dá entrevistas se o repórter não perguntar sobre seus namoros. É feio, “mas acontece”.

Mesmo assim, tentou-se, timidamente, falar da Brasil Telecon. Carlos Eduardo Lins da silva, atual ombudsman da Folha de S. Paulo, perguntou se ele enfrenta problemas com o caso Dantas (que tinha negócios com a empresa para a qual Caio Túlio trabalha. Amorim foi demitido por Caio túlio exatamente por falar mal de Dantas e desses negócios). “Não, absolutamente. Não estou tendo nenhum tipo de constrangimento com o caso Dantas”. Amorim teve, né. Ainda de acordo com Caio, “a cobertura que o IG está dando ao fato é mesma que outros portais”. Só faltava não fingir que não aconteceu. Outra frase sobre o mesmo assunto que merece destaque é: “a neutralidade é algo absolutamente impensável e irreal. Cada empresa vai ter seu interesse e será levado em conta”. Depois, disse que “há empresas jornalísticas que omitem, quer dizer, emitem, informação. Mas na empresa que eu trabalho, não”.

Vou em partes, porque o programa teve mais de uma hora de duração. Tem coisas sobre educação e vazamento de informações.

ps: A coisa da Lilian lá no topo é brincadeira. Ela é uma jornalista maravilhosa, das que me faz ainda ter um pouquinho de confiança nessa profissão de ilusões perdidas.


1 Comentário até o momento
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Também gosto da Lilian e concordo com todas as vírgulas quando ela diz que é impossível e eticamente condenável um jornalista fazer propaganda de qualquer coisa. Achei até que o Caio Túlio seria mais contundente sobre o assunto, mas talvez o lado “executivo” dele tenha pesado mais.

Ah, e eu não gosto nem um pouco do PHA! Aliás, se eu estivesse lá na bancada, ia fazer questão de cumprimentar o Caio Túlio pela demissão daquele sujeito! Hehehe. Só falta o Nassif agora, né? :)

Comment por Fábio




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