Escravo da Rosa


Nostalgia? Desencana… O mundo nunca foi melhor.

[Esse texto é totalmente contra os nostálgicos]

Ah… nunca fui nostálgica. Essas coisas de querer ter vivido nos anos 50, nos anos 40, anos 20, era paleolítca, nunca foi comigo. Sempre adorei o meu tempo, a música do meu tempo, as roupas do meu armário super atual e MTV hoje.

É incrível como a maioria das pessoas adora reclamar dos dias de hoje. “Hoje o mundo é muito mais violento”. Ah, é? Sabia que as ruivas eram queimadas vivas na idade média? Que os índios foram dizimados no Brasil? Se você me odeia, pode começar a campanha. Mas se você pensa em violência urbana, eu digo que já fui assaltada na rua. A minha mãe não era assaltada em Taió porque todo mundo se conhecia, então o cara que se atrevesse corria o sério risco de topar com a prima ou com a colega de classe. E a minha mãe ia ao cinema na matinê. Domingo às 15h é mais difícil mesmo.

Aí, tem aquela história das roupas. Menina quando vai ver filme de época sai do cinema querendo um espartilho. Só que aquele negócio quebrava as costelas das moças. Além dos vestidos serem qunetes e pesados pra caramba. Eu, claro, sou a favor da mini-saia e regatinha. Em nossa terra tropical, roupa demais é besteira.

E a música então? É mesmo ótimo ter como programa um concerto em que você vê assiste a tudo sentadinho. Ninguém se mexe, ninguém canta, ninguém pula. E ainda corrre o risco do tiozinho do seu lado dormir e roncar. E se a saudade é da época em que o Chico compunha muito, eu te digo que a canção de protesto naõ me faz falta, posto que se não fosse a ditadura, o Chico teria falado de outras coisas. E ainda teria aquele olhos…

Sem falar no avanço tecnologico… Ah, a música eletrônica, os prédios mais altos e mais lindos, os esportes. Há também a arte, a interação, a educação, a comunicação a distância, a diminuição das distâncias. Ver as pessoas em menos tempo (contagem regressiva: 40). “Eu não domino a tecnologia do sexo virtual”. É, tem coisas que a tecnologia não resolveu (ainda bem).

Falemos da medicina, que faz a gente viver mais. Cirurgias sem corte, as células-tronco, novos medicamentos, tratamentos. Há cerca de 50 anos atrás, não havia cura (nem diagnóstico, na verdade) para uma doença que meu pai tinha. Se não fosse o avanço tecnológico da medicina, ele teria morrido pelo menos uns 10 anos antes. Sem falar nas doenças como câncer, que não é mais necessariamente uma sentença de morte. A Europa perdeu 30% da sua população de uma vez por causa da peste. E trinta pessoas morrendo de dengue a gente chama de epidemia (não que a dengue seja desimportante, viu! tira a água parada do vaso da planta!)

A minha mãe, quando mudou para São Paulo, tinha que mandar cartas para o nono, porque a telefonia ainda não tenha chegado lá. Se acontecesse alguma coisa, ela demoraria horas para saber, até alguém chegar na cidade e conseguir ligar para ela. Se fosse durante o dia, era mais difícil, porque ela não estaria em casa para atender o telefone. E ontem um amigo me ligou da Itália depois de um show do REM. Celular é um negócio muito legal.

Tem até quem seja nostálgico de uma tal “época de ouro” da Cásper. Se o jornalismo lá era tão bom, porque o Marco Antônio virou dono de bar? E me digam, por favor, que uma aula do Marcelo Coelho mudou a vida de alguém, porque uma aula do professor de jornalismo cultural hoje me transformou. “Época de ouro”? Ó, sou mais a minha, com Luis Mauro, Heitor, Mônica, Ana, Zé Augusto e até o Maringoni…

Então, se você acha que nasceu na época errada, pode ficar tranquilo, porque o mundo nunca foi melhor. A gente nunca teve tanta educação, saúde, expectativa de vida. Socialmente, há possibilidade ascenção, coisa que nunca teve. A podridão na política sempre existiu, e agradeça por viver em tempos de democriacia, pelo menos aqui no Brasil. Pelo menos há investigação, e se você prestar atenção, vai saber que o Maluf é um p%#@ ladrão. E se ainda é tão ruim (porque o mundo não é bão mesmo), olhar pra trás não adianta. Se tiver a fim, abre a cabeça e tenta melhorar. Mas se você ainda acha que o mundo era melhor e prefere ficar reclamando, dizendo “onde esse mundo vai parar?”, talvez não esteja mesmo preparado pra viver o presente.