Talvez você tenha lembrado das TVs que vêm sendo instaladas nos ônibus paulistanos desde o ano passado, que dão dicas de comportamento*, de limpeza da casa e curiosidades, mas dessa vez aprendi com as pessoas mesmo.
Lição 1:
Vinha eu, jornalista, 21, desiludida com a profissão, com a vida e com o mundo, sentidinha comportadamente. No banco atras do meu, dois rapazes conversando:
- Eu acho que jornalismo deveria ser curso de extensão. A pessoa faz história ou sociologia e depois faz um ano de jornalismo. Vira um puta jornalista.
Eu olhei pra trás e ri. Ele viu a minha cara de quem tinha ODIADO o que ele falou, virou para o outro e continuou:
- É verdade, dariam jornalista bem melhores do que os que temos hoje.
Eu virei de novo, abandonando o risada cínica e fechando a cara de vez. Pensei em argumentar, mas dizer o quê? Provavelmente qualquer sociológo, (mesmo os que dizem que a TV não aliena, que proporciona interatividade, a partir do momento que você pode trocar de canal**), daria um jornalista melhor que alguns dos que vão se formar comigo, inclusive eu. Por favor, alguém me desminta aqui.
Lição 2:
Depois de desistir de argumentar, mas ter deixado o moço suficientemente sem graça (tanto que trocou de assunto), levantei com minha mochila e bolsa e fui em direção a catraca. Um casal de idosos estava parado na porta da frente, esperando para descer e deram sinal. Eles tem direito de descer pela porta da frente. Óbvio, não? Não, não é…
O ônibus chegou à parada, enquanto eu pagava a passagem. O cobrador deu um sinal para o motorista abrir a porta da frente, e este não ouviu. Simplesmente foi embora e os dois idosos ficaram lá, esparando o próximo ponto que fica a mais ou menos meio quilometro de distância, em plena Rebouças.
Eu não fiz nada, não alertei o motorista. Ninguém fez nada, mas o puto do cobrador riu! Ele, inacreditavelmente, RIU! E eu sei que você acredita, porque as pessoas são mesmo cretinas e mal-educadas. Eu, num momento de quase fúria, perguntei ao cobrador porque ele ria.
- Hehe, eles ia descer, mas não avisaram…
- Mas o botão não tá aí pra avisar que alguém vai descer?
- ***cri, cri, cri***
- E esse tipo de coisa não é pra rir.
- Mas eles tinham que ter avisado. sem risos
- Ok. Isso não é motivo pra rir.
Quando eu desci, ele me disse tchau. Alguém avisa pro cretino que eu não sou amiga de gente como ele.
*Uma vez, juro, tinha uma dica de comportamento maravilhosa, sem a qual eu não sei como relacionamentos sobrevivem ao primeiro encontro: “Quando um homem te chamar para jantar, escolha sempre no menu um prato de preço médio, nem o mais barato, nem o mais caro. Caso ele sugira algum prato, aceite.”
**Eu vi um sociologo falando isso uma vez. Pasmem.
Ah, sim. Travis é para ouvir aos domingos.