Arquivado em: I hate it!, Jornalismo | Tags: Atentado, eleições, embu, prefeitura embu
Eu voto no Embu, não sei se já comentei aqui. E isso é um dos motivos pelos quais não falei de política no Escravo nestas eleições. Além disso, há a nova legislação, que proíbe campanha na internet, a qualidade de quase todos os candidatos, blá blá blá.
Mas essa não dá pra passar batido. Hoje, abro meu navegador e olhando por cima as notícias, porque nunca me aprofundo mesmo, dei de cara com uma manchete na capa do uol (primeiro destaque): Candidato à Prefeitura de Embu é alvo de atentado.
Primeiro que eu nem sabia que o Paulo Martins, figurinha conhecida da política no Embu, era novamente candidato. E não tenho candidato no Embu, porque não participei das dicussões, não acompanhei mesmo, até porque é mais difícil quando não há cobertura da mídia. Mais um motivo pra cobrar responsabilidade dos jornalistas (fica para outra discussão).
Resumindo: Ao menos 12 tiros foram disparados contra a casa de Paulo Martins na madrugada de ontem. Um carro que estava parado na frente da casa, com 4 pessoas ligadas ao candidato foi atingido. Ninguém morreu até agora, mas duas pessoas ficaram feridas. O coordenador de campnha está internado com uma bala alojada na nuca.
Aí, eu penso que estou no nordeste, naquelas cidades onde ainda há coronelismo, e um manda. E quem não obedece morre, simples assim. Eu estou bem longe de defender o Martins ou qualquer um que seja, mas a situação é muito absurda. Independente das hipóteses que possam surgir – até que isso é manobra da campanha do próprio candidato – é inadimissível que atentados como esse ainda aconteçam.
O engraçado é a que eu nunca liguei muito para isso porque era sempre longe, no Mato Grosso, no sertão da Bahia, Alagoas (que adora coisas do tipo), mas se o Paulo Martins morasse no Pinheirinho e não no Jardim Júlia, podia alvejar o carro da minha mãe. Ou eu chegando em casa com duas amigas.
Mas, tirando a parte egoísta podia-ter-sido-comigo, a democracia está altamente comprometida. Apesar de todos os avanços políticos no país nos últimos tempos, como a maior conscientização da importância do voto, o combate efetivo a compra de votos, a urna eletrônica, que é um meio mais seguro e moderno de votar, e candidatos que são pequenos, mas conseguem ter um pouco de expressividade e mostrar que há opção… enfim, apesar de tudo isso, ainda temos pessoas ligadas a política que são capazes de tamanho desrespeito e de cometer crimes desse tipo. Como alguém que cogita matar outra pessoa e tenta fazer isso pode tentar cuidar de uma cidade?
Vou falar um pouquinho sobre a cidade:
Sabe do que o Embu precisa? De educação, porque a minha empregada ficou três anos na fila para conseguir vaga na creche pro filho dela. De moradia, porque o meu bairro é cercado por duas favelas, da janela do meu quarto, dá pra ver o Santa Clara, onde nenhuma casa é rebocada e são totalmente amontoadas. De tratamento de esgoto, porque o esgoto da favela 2 corre direto pra um corrego que transborda quando chove forte. De segurança, porque a mercearia da rua de cima foi assaltada três vezes em um ano. De transporte, porque eu tive que sair da casa da minha mãe porque era impossível pegar o ônibus de manhã para ir a faculdade. Só que eu tive como sair da casa da minha mãe, e a minha vizinha continua pegando o ônibus lotado e demorando três horas para chegar ao trabalho.
E o Pinheirinho é um bom bairro, de classe média da cidade. Eu fui um dia ao Santo Antônio, que o bairro que fica ao lado e achei que não sairia viva. Isso sem contar os bairros mais violêntos. Imagina como vive o resto da cidade? E não venha me falar da ferinha de artesanato, por favor.
E tem um filho da puta que faz política que acha que vai resolver os problemas matando o outro. O Brasil pára amanhã para exercer a democracia e tem gente que acha que tá no western americano. Poder a qualquer custo…
Como a notícia é sobre a Prefeitura de Embu, não tem ninguém na porta do hospital para saber se ele tá bem, se sobreviveu, ninguém procurou desesperadamente Paulo Martins para comentar o caso e você nunca vai saber por um jornal grande o desfecho da história. Segunda eu conto pra vocês, porque vou estar na cidade. Uma coisa: o que a galera tava fazendo dentro do carro de madrugada? Pensei em várias possibilidades, mas nada faz muito sentido. Enfim, é um direito deles.