Escravo da Rosa


Sessé e O Milagre de Santa Luzia

Conheço o cineasta Sérgio Roizenblit, diretor do Milagre de Santa Luzia,  há quase 15 anos, quando minha mãe foi trabalhar na produtora que ainda chamava RecPlay. E pela primeira vez parei para conversar seriamente com ele. O resultado foi uma das entrevistas mais legais e interessantes que eu fiz. É grande, mas vale a pena. Sérgio pensa o cinema independente de uma forma realista e especial. Realista porque sabe das limitações e especial porque tenta vencê-las.

Sérgio assume a certa altura que talvez o cinema independente no Brasil não dê certo por culpa nossa, e se inclui nisso. “Não dá pra ser tão passivo de ir ao cinema, ver um filme legal e voltar pra casa.”

Essa passividade é o que eu tento deixar de lado fazendo a entrevista. Vendo o projeto nascer e acontecer (na produtora que hoje chama Miração), quero compartilhar com o mundo a grandeza do filme, que mostra um país que é preciso conhecer. Ajudar as pessoas a superarem os preconceitos contra o nordeste, documentários e cinema nacional para ver que sanfona é importantíssima. O filme é simplesmente indispensável.

A entrevista está no mais que amado Cinequanon, para onde tenho a honra de escrever pela primeira vez, a convite de Cid Nader, que me cobra a parceria há tempos. Espero ter correspondido às espectativas, e que outras matérias venham por aí. Porque além de cinema, aqui se faz jornalismo independente.



O milagre chega ao cinema
17 Agosto 2009, ---
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Trailer d’O Milagre de Santa Luzia, filme imperdível sobre Dominguinhos e a sanfona no Brasil.



Film-Makers’ Cooperative aluga espaço a US$ 1,00 por ano. Há!
30 Maio 2009, ---
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A Film-Makers’ Cooperative é uma organização que cuida, armazena e organiza uma coleção de filmes experimentais e de vanguarda desde 1962. Sediada em Nova York, nos últimos meses quase foi fechada por falta de um espaço para suas instalações. Mas acabou de achar um novo endereço, na Park Avenue e 32nd st, área super nobre de Manhattan, e pagando aluguel de 1,00 dolar ao ano.

O prédio tem 6 andares e é pelo menos 4 vezes maior que o espaço que eles ocupam hoje.

Tudo começou quando a coopervativa teve que sair do prédio que ocupava em Tribeca, que será ocupado por uma rádio de transmissão pela internet sobre arte. Sem ter para onde ir, o acervo corria o risco de se perder por aí.

Até que Charles S. Cohen, um entusiasta do cinema, resolveu alugar o prédio da Park Avenue pelo preço simbólico de US$1. Detalhe: senhor Cohen é presidente da Cohen Brothers Realty Corporation, uma empresa de arquitetura. Mas sua paixão pelo cinema fez com que escrevesse e dirigisse um curta-metragem, pelo quela ganhou um Kodak Awards.

A Film-Makers’Cooperative tem cerca de 5000 filmes raros e que não estão em circulação de cinastas que fizeram pequenas revoluções no cinema, como Maya Deren. Agora, esse acervo todo estará disponível para pesquisas e poderá ser visto num auditório que será construido dentro do prédio. É a chance de quem pesquisa cinema ver coisas ótimas que nunca estariam disponíveis. Vale a pena uma visita ao site da organização.

Bom que mesmo em época de crise, alguém ainda se preocupe com o cinema, não é mesmo?



Nick Cave. Filme imperdível da semana.

O Pitchfork.tv é o canal vídeos do Pitchfork, mais que referência para quem curte música. E toda semana eles colocam um filme em cinco partes que podem ser vistas no site – o problema é fica disponívcel somente naquela semana.

Já falei aqui uma vez do filme com o duo The Kills. Esta semana é do mais que necessário o filme sobre o Nick Cave.

O Nick Cave é o cara mais fetiche do mundo, líder do Grinderman (melhor videoclipe de 2007,  na minha opinião) e do Nick Cave and The Bad Seeds (dãh), é um dos caras que mais tem história no mundo do rock. Com isso que quero dizer que ele já era o Nick Cave antes d’eu nascer e eu já não sou uma adolescente.

Quem conhece o Berlim, ali na Barra Funda? O cenário me lembra muito a casa. E eu meu sonho é ver um show do Nick Cave assim.



O cinema e a experiência do cinema.
25 Maio 2009, ---
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I got a new virtual friend. And we were talking today about his broken leg and he told me saw Alien x Predator at the hospital. I said, as you might know, my dear reader, that I would never watch a film like that, not even sick. And as some of you wanted me to right more, I’ll tell you why I’d never watch that film. But in portuguese.

O mundo pode ter achado que o cinema ia acabar com a TV ou o rádio, e não acabou. A internet ameaça, como faz todos os outros veículos de comunicação, mas nada confirmado. De uma coisa, meu bem, eu tenho certeza: o cinema não acaba.

Pode até passar por mudanças drásticas, trocar de plataforma, ser distribuido de outras forma, sei lá o que. Mas acabar, não acaba. Posto isso, o post:

O cinema é arte, fato, e isso faz com que nos dê experiências únicas. Como uma música que emociona ou um quadro que faz a gente viajar. Mas o cinema, talvez pela duração de um filme e construção mais complexa, consegue chegar mais fundo nas nossas emoções.

Qual é o filme que mais te fez chorar? Ou o que mais te fez rir? Qual o filme você queria ter vivido?

Um filme te transporta para um universo paralelo, completamente estranho ou não. As vezes, você pode se identificar com uma história ou um lugar – quem não se viu andando na Paulista e pensando no amor como Marco Ricca e Alice Braga em A Via Láctea? Ou para épocas bem diferentes, como em Casablanca?

Você jura que mesmo que estivesse feliz da vida, não teve vontade de chorar com Jim Carrey na abertura de Brilho eterno de Uma Mente sem Lembranças? Então, tá.

Porque um filme é sempre feito de personagens que pensam, sentem, tem dramas e problemas e alegrias como a gente. E mesmo que se tente esconder, todos tem dúvidas, questionamentos e vitórias – mesmo que sejam pequenas vitórias pessoais.

E mesmo que você esteja absolutamente feliz, você sabe que um dia seu amor pode acabar e você vai chorar como Joe chora em Brilho Eterno.

E a inveja que dá de quem consegue perdoar, de quem vive um grande amor, de quem aprende alguma coisa nessa vida louca. Sabe Simplesmente Amor? Um filme médio, e só. Sem grandes movimentos de câmera, sem um roteiro absurdamente elaborado. Mas personagens reais que se apaixonam, que vivem dois anos tentando se aproximar de quem amam e que vivem os amores mais diferentes. Dá para se identificar com quase todos aqueles personagens.

E cinema é a coisa que mais consegue tocar as pessoas, por isso desperta esse fascínio. Porque mesmo que aquele personagem não seja você, não tenha nada a ver com a sua vida, ele externa sentimentos – e esses são universais.

Porque se você assiste ao Hugh Grant indo atrás da secretária no suburbio de Londres e não te dá nem vontade de ligar pra alguém, você é doente.

Mas aí, tem a dor que alguém sente quando perde um filho, como Clint Eastwood em Menina de Ouro, ou as batalhas que a gente perde e vence na vida, como Sean Penn vivendo Harvey Milk. E, obviamente, todos aqueles conflitos que a gente tem durante a vida inteira, e que cedo ou tarde acabam se resolvendo, chegando a um ápice e depois suavizando.

Vou transformar minha vida num filme. Quem quer dirigir?

Ah, sim. Fiquei de dizer porque nunca assitiria Alien X Predador. Primeiro, porque eu não me identifico com um monstro, apesar de ter gente acha isso. Segundo, porque como o cinema é uma experiência que me transposta para dentro da história, eu fico realmente com medo do monstro, força do mal, extra-terrestres, etc. A tensão é tanta que eu sonho depois, tenho quase um ataque cardíaco, levo sustos absurdos. Fui assistir Jurassic Park no cinema e foi a última vez que Rachel viu um filme comigo. Ela ficou com mais medo de mim que do dinossauro, tamanho o pânico da garota.

That’s it. Amanhã eu começo na Caras e seja o que Deus quiser, né?



tonollica 30 horas.

Dormir 3 horas. Acordar as 8h para aula de Telejornalismo. Participar da aula do Caio Túlio. Orientação de tcc. Podcast. Fax para Ancine na pqp. Entrevista de emprego. Se perder na Vila Madalena. Fax da Ancine na pqp. Mãe. Mostrar o clipe pro Gabriel. Mãe. Casa. Entrevista para o tcc.

Aí, o Escravo ficou pra lá hoje. Droga.

call me later

Pelo menos eu vi, por acaso, uma coisa que me deixou muito feliz: o primeiro corte do trailer do Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha. Isso será usado para ajudar na captação de recursos para finalização do filme. E juro que deu muita vontade de ver. Fotografia ótima, e todos as citações ao Luz de 68 estão lá. Rogério é Deus e ponto final.



Nico.
19 Maio 2009, ---
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Quando você vê as mulheres usando cabelos compridos e franjão, lembre-se disso. Quando você ver o melhor videoclipe do ano até agora, lembre-se disso de novo.

Só pela referência.



Acabei de ver Garapa…
18 Maio 2009, ---
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E, meu Deus, mesmo que eu fosse totalmente indiferente à questão da fome (tema do filme), não poderia deixar de ver. Porque é uma obra cinematográfica tão simples e completa, bem montada, com uma fotografia tão absurda… Há muito tempo eu não via um filme tão bom.

De tirar o chapéu e abaixar a cabeça quando Padilha passa. Sem exagero.

Prometo que rola um comentário mais pra frente.



Kasabian is back, and we’re happy for that. But…
15 Maio 2009, ---
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O vídeo tinha tudo para ser demais. Só tinha.

Confesso: fiquei com preguiça de ver o Kasabian no Planeta Terra 2007. Já tinhamos visto tanta coisa que tava bom demais. Chiquinho levantou e eu cabeceei: vamos embora. Não me arrependo, mas hoje não perderia de novo.

Um ano e meio depois, volta o Kasabian, com disco novo que deve sair agora, a 8 de junho. Mas já caiu na rede uma prévia, com 5 músicas do disco, incluindo Vlad The Impaler, que ficou disponível para download no site deles.

O Kasabian é apontado por alguns como uma das melhores bandas da atualidade, as vezes ficando a frente de grupos bem amados, como Kaiser Chiefs. Nunca se falou, ao que eu saiba, que são melhores que Franz Ferdinand, mas já seria demais. Entre os que gostam da banda, está Liam Gallagher, que a rigor, não gosta de ninguém.

Eu não acho tudo isso, mas o Kasabian tem seu valor e é bem alto.

Mas eu disse tudo isso só para mostrar o novo clipe deles, que tem coisas que eu aprecio bastante. Agora, uma simples análise de cor.

Eu admiro quem consegue usar uma cor só e se dar bem, que é o caso desse vídeo. Com um sépia como cor base, recria sem nenhum esforço a atmosfera western. No primeiro frame, só pela cor do filtro já se identifica o lugar. E você pode apostar que no próximo segundo, entra o som de botas andando sobre poeira – o que realmente acontece. Aí, vem as partitura antigas, também amareladas. Tudo perfeito, se encaixando. E o principal: combina com a música. O tema foi muito bem escolhido – tem horas que dá vontade de fazer passinho, se eu ainda lembrasse de algum.

Mas aí, surge um problema grave. Todo o filme gira em torno de um assalto ao banco, onde eles usam como armas os instrumentos. E esse assalto é visto pela perspectiva da câmera de segurança, em preto e branco. Uma ideia ótima, mas que funcionou muito pouco, exatamente por causa das… cores.

Quem assiste fica numa atmosfera quente por causa da coloração que é totalmente quebrada pelo preto e branco da câmera. Esse PB remete a uma coisa urbana, desloca o expectador completamente – claro que brincar com as cores e espaços é bom, mas sem jogar a pessoa para fora da obra.

Uma vez que a pessoa é explusa, ela lembra que está vendo um videoclipe, e começa a prestar atenção aos erros. A primeira coisa: onde já se viu western com câmera de segurança? Onde as pessoas faziam sua própria lei, essa tecnolologia não existia.

Pronto, o clipe foi por água abaixo.

Aí, para completar, tem uma hora que o azul predomina, e acaba de vez com aquela primeira escolha acertada. Mas nessa hora, ninguém mais está prestando atenção.

ps: não deixe de ver a Kombi azul lá pelos 2:00. Sem ela, aqueles frames seriam nada.



Moonshiner
7 Maio 2009, ---
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Existe um ideal de amor na minha cabeça. E um ideal de cinema. E Cão Sem Dono está quase lá nas duas coisas.

E dói, mas dói muito.