Sim, abandonei o blog porque a revista Caras toma todo o meu tempo criativo e energia. A energia fica por conta das ligações para os assessores de imprensa. Porque assessor pode ser o ceu ou o inferno do jornalista. Da estagiária então…
Caras tem um modelo de relatório de imagens de divulgação. Praticamente todos os assessores de São Paulo tem, mas eles ainda conseguem mandar as coisas erradas.
1) Nome do evento, data e local.
2) Motivo do evento.
3) Quem organizou, pessoa física e/ou marca comercial, se houver.
4) Identificação detalhada de quem são as pessoas que estão em cada foto (profissão, cargo na empresa, atuação no evento), com suas respectivas idades.
5) Se esse material é exclusivo para Caras ou não.
6) Se essa foto é exclusiva para a Caras ou não.
7) Crédito do fotógrafo
8 ) Telefone fixo da assessoria de imprensa e celular do assessor responsável.
Se você leu o primeiro item, sabe que adata é importante. Pois bem.
Um assessor me manda essa semana um relatório sem data. Ligo eu para assessoria e peço a data.
- Olha, eu vou precisar confirmar.
- Você não estava no evento?
- Estava, mas não sei que dia é exatamente. Te ligo daqui a pouco.
50 miutos depois…
- Então, foi dia 15, sexta-feira.
Só que 15 de julho foi quarta-feira.
O que eu falo para um cara desses?
Grandes tragédias sempre deixam marcas em quem presenciou. Pode ser quem sofreu, os familiares, amigos, se tinha um conhecido do conhecido envolvido. Ou mesmo se não tem absolutamente nada a ver com a gente.
Qualquer um que seja minimanente sensível sentiu um nó na garganta quando viu a notícia do acidente da Air France hoje. Eu sabia que não tinha ninguém que eu conhecia naquele vôo. Mas é impossível não pensar que talvez tivesse. E na dor que quem perdeu um querido ali está sentindo.
E se hoje eu reclamei da tecnologia, saiu num jornal português que as vítimas se comunicaram por SMS com seus familiares.
Imagine a certeza de que vai morrer. O que você escreveria e para quem mandaria?
E imagine receber um torpedo desses. Nunca mais se dorme direito na vida.
É bom ver a comoção pública desses fatos. Ninguém fica imune, o clima pesa – sinal de que ainda não estamos tão insensíveis.
Arquivado em: Filminhos, I hate it! | Tags: Bandido da Luz Vermelha, Cásper Líbero, Luz nas Trevas, Rogério Sganzerla, tcc
Dormir 3 horas. Acordar as 8h para aula de Telejornalismo. Participar da aula do Caio Túlio. Orientação de tcc. Podcast. Fax para Ancine na pqp. Entrevista de emprego. Se perder na Vila Madalena. Fax da Ancine na pqp. Mãe. Mostrar o clipe pro Gabriel. Mãe. Casa. Entrevista para o tcc.
Aí, o Escravo ficou pra lá hoje. Droga.

Pelo menos eu vi, por acaso, uma coisa que me deixou muito feliz: o primeiro corte do trailer do Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha. Isso será usado para ajudar na captação de recursos para finalização do filme. E juro que deu muita vontade de ver. Fotografia ótima, e todos as citações ao Luz de 68 estão lá. Rogério é Deus e ponto final.
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Arquivado em: I hate it!, Jornalismo, São Paulo | Tags: AI-5 Digital, Ato, Projeto de lei, senador Azeredo
Poucas vezes esse Escravo se presta a assuntos políticos e tão sérios. Mas acho que uma hora a gente precisa fazer alguma coisa para se defender. E é ridículo que a gente tenha que se defender do próprio governo. Para isso, eu peço atenção a este post, mesmo que você tenha chegado aqui atrás de outro tipo de informação.
Como a maioria dos blogueiros e pessoas que tem o afinidade com o meio digital, principalmente internet, está em andamento a aprovação do projeto de lei do senador Azeredo. De maneira simples, o projeto quer que cada internauta se identifique ao se conectar.
Mas não é simples. A obrigatoriedade da identificação faz com que você perca a liberdade de acessar qualquer tipo de conteúdo sem ser espionado. E isso não é só se você está comentendo um “crime”, mas para qualquer ação. Imagina se toda vez que chegar em casa, tiver que assinar um documento na portaria dizendo onde estava, quem viu, o que fez. Seria confortável? Mesmo que você tivesse ido comer um x-salada na esquina.
Esses mecanismos conseguem controlar quem faz transferências de arquivos pela internet, seja baixando música ou um slideshow da aula de Jornalismo em Revista. Mas quem tem o direito de controlar isso?
Na opinião da blogueira, e ninguém ainda conseguiu me convencer do contrário, esse não é o caminho. Três comentários básicos:
- Essa medida ajuda as grandes corporações que querem ter seus direitos preservados. Mas precisa ser dito que esses direitos são contrários aos da sociedade. Quem sai ganhando com isso? Não é o artista que tem seu texto, música ou filme distribuido. Baixar gratuitamente o CD novo da Ivete Sangalo ou o filme novo do Tom Cruise não deixam esses artistas mais pobres. Cabe, aos que estão perdendo espaço, repensar suas formas de ganhar dinheiro de uma forma justa.
-Nessa história toda, que ainda tem perguntas a serem respondidas, está muito claro que há uma nova ordem que não privilegia os poucos de sempre. E isso, para quem pensa em melhorar o mundo, fazer com que mais pessoas tenham acesso a cultura, informação, entretenimento, conhecimento, educação, é ótimo. Dúvido que alguém nunca tenha se privilegiado da transmissão de conteúdo online. É justo centralizar cultura para quem pode pagar?
- É possível viver num mundo mais justo. Há gente pensando como fazer para ganhar dinheiro através das facilidades da internet. Há quem pense novo, diferente e use tudo isso a seu favor. Há gente no MySpace mostrando a música que ninguém nunca ouviria. Há o TramaVirtual oferecendo download gratuito. Então, talvez seja hora de pensar numa nova ordem, deixar o mundo se equilibrar sozinho, e começar a defender quem precisa de defesa.
Isso tudo pode ser desdobrado com mais um milhão de exemplos e conclusões. O texto abaixo tem algumas.
Última coisa: isso tem sim a ver com você. Pode ter certeza que caso esse absurdo seja aprovado, as consequências vão bater aí na sua máquina.
ATO CONTRA O AI-5 DIGITAL
A Internet é uma rede de comunicação aberta e livre. Nela, podemos criar conteúdos, formatos e tecnologias sem a necessidade de autorização de nenhum governo ou corporação. A Internet democratizou o acesso a informação e tem assegurado práticas colaborativas extremamente importantes para a diversidade cultural. A Internet é a maior expressão da era da informação.
A Internet reduziu as barreiras de entrada para se comunicar, para se disseminar mensagens. E isto incomoda grandes grupos econômicos e de intermediários da cultura. Por isso, se juntam para retirar da Internet
as possibilidades de livre criação e de compartilhamento de bens culturais de de conhecimento.
Um projeto de lei do governo conservador de Sarkozi tentou bloquear as redes P2P na França e tornar suspeitos de prática criminosa todos os seus usuários. O projeto foi derrotado.
No Brasil, um projeto substitutivo sobre crimes na Internet aprovado e defendido pelo Senador Azeredo está para ser votado na Câmara de Deputados. Seu objetivo é criminalizar práticas cotidianas na Internet, tornar suspeitas as redes P2P, impedir a existência de redes abertas, reforçar o DRM que impedirá o livre uso de aparelhos digitais. Entre outros absurdos, o projeto quer transformar os provedores de acesso em uma espécie de polícia privada. O projeto coloca em risco a privacidade dos internautas e, se aprovado, elevará o já elavado custo de comunicação no Brasil.
Gostaríamos de convidá-lo a participar do ato público que será realizado no dia 14 de maio, às 19h30, em defesa da
LIBERDADE NA INTERNET
CONTRA O VIGILANTISMO NA COMUNICAÇÃO EM REDE
CONTRA O PROJETO DE LEI SUBSTITUTIVO DO SENADOR AZEREDO
O Ato será na Assembléia Legislativa de São Paulo e será transmitido em streaming para todo o país pela web.
PLENÁRIO FRANCO MONTORO
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO
AV PEDRO ALVARES CABRAL S/N – IBIRAPUERA
O Ato também terá cobertura em tempo real pelo Twitter e pelo Facebook.
Contamos com a sua presença.
Post ácido. Corrosivo para alguns mais sensíveis.
Não, não é “Horror, horror, horror” em Hamlet, mas a vontade é de sair gritando isso. Reproduzo um post aqui da narração de um cena engraçada, mas que eu não precisava ter gerado:
“Um professor (e responsável pelo curso de jornalismo, diga-se), três ex-alunas, um momento de pós-climão (entre o professor e uma quarta aluna, que não estava presente).
P – O que aconteceu com a amiga de vocês?
A 1 – Ah, ela estava…
A 2, para A 1 - Não aconteceu nada.
A 1 – … um pouco nervosa…
A 2 para P – Não aconteceu nada. Não. Aconteceu. Nada.
A 1 – (silêncio)
P, olhando para A 2. Sobrancelhas unidas, testa enrugada, lábios tremendo. Pausa. Explodindo: – Você é ridícula. Você é ridícula, Mariana.
…
A 2 – Eu sei.
ps: E quem ouviu que precisava saber se controlar foi a quarta aluna.”
Em Me Exorcisa.
Então, eu era a quarta aluna e esse foi o momento em que alguém achou legal fazer piada com o projeto do meu tcc dizendo que foi reprovado. Uma piada de super bom gosto, não? Ainda por cima levei um esporro porque chorei. Claro, você tem que ouvir que seu projeto foi reprovado e perdeu um ano da sua vida e fazer cara de paisagem.
Enfim, soube só agora (por descuido, devia ter lido antes) que o mesmo piadista vai estar na minha banca. Mais um diálogo:
“- Mas, de verdade: não acho que o CC na banca seja o fim do mundo. Não acredito que você precise focar nisso.
- Então diga a ele para não focar mais em ferrar.
- … Se preocupe em fazer um trabalho do qual você possa se orgulhar.”
De verdade, isso é just0? Eu não poder escolher nem a minha banca? Ainda mais sabendo da disposição do sujeito em me ver chorar?
ah, tá.
É péssimo pensar que o poder corrompe tanto as pessoas a ponto delas atingirem quem pouco tem a ver a com a história só para conseguirem uns pontos na batalha. É ridículo que a universidade se comporte como um espaço hostil para os alunos, que tem que se preocupar com questões políticas quando deveriam se preocupar em aprender. Ah, pobres focas, nem na academia estão a salvo.
Daqui a pouco o Escravo volta com a programação normal.
Contra, contra, contra. E olha que eu respoeito e admiro a condição dela.
Agora, Jesus, quem teve a brilhante ideia de coloca-la para cantar ao lado de Andre Bocelli? Imagina ela pulando, falando que quer um negão no banco do passageiro enquanto ele aquece sua viz de tenor. É, porque a rainha do axé tem tudo a ver com o herdeiro de Luciano Pavarotti. Será que ela já pensou em fazer uma versão de alguma música que ele canta, no melhor estilo sertanejo fazendo versão de pop anos 80?
Aí, a moça, sem mais nem menos, resolve anunciar sua gravidez no show dele. Porque o show era dele!
Ivete, se quisesse, poderia convocar uma coletiva de imprensa com os maiores veículos, fazer uma exclusiva no Fantástico, falar na hora da premiação no Faustão semana passada, já aquele era o momento dela, mas resolveu contar no meio do show do outro.
Não dá pra entender como alguém tamanha exploração midiática da própria gravidez. Oi, o seu filho ainda não pode escolher se quer o jornal em cima dele! E quanto a preservar a intimidade do lar, familia? Ah, tá…
Será que ela acha que agrega capital simbólico com isso?
A prefeitura do Rio de Janeiro está fazendo a coisa mais absurda que eu tive notícia nos últimos tempos. Nem Sarney no senado, crise que é marolinha, nada foi tão absurdo. Sim, estou bestificada.
Alguém já teve a brilhante ideia de construir um muro para deter o crescimento da favela? Como assim?! Eu estou com vergonha de dizer que aguém quer resolver o problema da habitação no Brasil tentando diminuir o espaço que as favelas ocupam.
Porque, oras, nem eu nem vocês acreditamos que o governo do estado e prefeitura estão mesmo preocupados com a Mata atrás das favelas – esse é o motico oficial. O problema é, no máximo, a visão que as pessoas podem ter de seus helicópteros e aviões, principalmente agora com Olimpíadas na cidade.
Só que a prioridade de uma cidade não deve ser o josogos olímpicos e sim a população. Será que alguém pensou nisso? Será que alguém pensou porque as favelas crescem? Será que alguém pensou que construir um muro não resolve o problema de quem não tem onde morar?
Ah, tá.
Ninguém pensou política habitacional, criação de conjuntos de moradia, urbanização de favelas… Porque, se é mais fácil construir um muro? Nem pensaram também o que significa um muro, a segregação social, separação entre camadas da sociedade. Pense na utilização muro historicamente. Independente das questões pelas quais foram feitos, você já viu dar certo?
Ah, tá.
Agora, eu torço para que a população quebre o muro e utilize os tijolos para construir mais casas.
Arquivado em: I hate it!, Music makes people come together | Tags: Hanson, Tinted Windows
Alguém me explica o que é isso, por favor? O que o Taylor Hanson faz junto com Iha, que era do… Smashing Pumpkins? Você também não entendeu? Ah, tá… Thank you very much.
Oficialmente se chama Tinted Windows e esse é o primeiro single, Kind of a Girl. Eu rezo para a próxima música ser melhor, do fundo do coração.
Juro que gostava mais de Save Me. Na verdade, sempre achei Save Me demais.
Enfim, eu pensando que as estranhezas eram só aqui no Brasil, com Nove Mil Anjos – Júnio Lima e Champignon.
Fazendo uma pesquisa para o tcc, por indicação da Talita, me deparei com esse blog. Concentração total até um minuto atrás. Até o minuto em que Carolina pulou.
RONDA
(Para Carolina Passos)
Carolina, você não tinha o direito de pular. Você não tinha direito de se transformar no meu penhasco. Porque eu sou bem moço e já tenho o meu próprio penhasco (um grande e confortável penhasco de três quartos na Barra). Carolina, sua filha da puta. Eu te amo, eu te amo, eu te amo e merecia muito muito muito morrer bem antes de você. Porque eu sou bem moço e já tenho o meu próprio penhasco (um penhasco com vista para o mar). E porque eu não merecia, eu simplesmente não merecia. Não sou melhor do que ninguém, mas eu não merecia mendigar a Deus que você volte, toda durinha, linda linda linda de doer, só para ouvir os palavrões dos homens rudes que bebem nos bares, dos homens nojentos que nunca lhe amaram. Mas eu? Eu não merecia, eu sempre te amei e não merecia. Eu te odeio, sua filha da puta. Você é quem merecia me ver morrer todos os dias, Carolina. Você é uma filha da puta e eu te amo e juro que te odiarei para sempre. Porque eu deitei sobre sua sepultura com a garganta em sangue e quarenta graus de febre. Porque eu gritei que te amo e que te odeio e que te amo e que te odeio para Botafogo inteiro ouvir. “Saudades eternas”, eu vi que seu nome estava bordado em uma coroa de flores, ao lado da minha sentença. Você não tinha o direito de ser meu penhasco, sua filha da puta. Eu te amo, se você soubesse o quanto eu te odeio.
André Dahmer me fez chorar, é cartunista e escritor. E fumante.