Escravo da Rosa


Morrissey. Aparentemente, um livro definitivo sobre ele.

The Smiths. Banda na lista de favoritas de 9 entre 10 pessoas normais. Lider da banda, Morrissey, deus do universo que lançou neste ano um disco fantástico, etc, blá blá blá.

Enfim. Para fãs de Moz, como é carinhosamente chamado, foi lançado um livro que é a coisa mais compravel no mundo. Morrissey: The Pageant of his Bleeding Heart.

O livro promete contara  história dele colocando-o em seu devido lugar: um dos melhores artistas do século. Comparações com poetas é o mínimo. Para quem gosta, 320 páginas que contam a história desse grande personagem. Pode não ser a biografia definitva, posto que eles está aí, super ativo (e se jogando na noite), mas vale a pena pra entender quem é esse cinquentão que ateia fogo por onde passa.

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Na Amazon por um preço bem bom. Só em inglês, claro.



Menino malvado lança livro em São Paulo
8 Agosto 2009, ---
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Conheci o André Dahmer pela @talitarc. Ele gentilmente me recebeu em sua casa para uma entrevista para o tcc. É, sim, um ex-fumante.

Neste ano, suas tirinhas no site malvados.com.br tem sido meu divertimento diário. A constatação é que meu mundo era menos feliz sem isso antes. Encontrei Deus? Um deus malvado!

Enfim. Quem avisa amigo é e eu faço minha parte. Amanhã, na Pompéia, Dahmer lança o livro A Cabeça é a Ilha. Obrigatório.

convitecabeca

Sério. É muito imperdível.



Sim, são para se ter medo, os espelhos.
18 Maio 2009, ---
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“Temi-os, desde menino, por instintiva suspeita. Também os animais negam-se a encará-los, salvo as críveis excepções. Sou do interior, o senhor também; na nossa terra, diz-se que nunca se deve olhar em espelho às horas mortas da noite, estando-se sozinho. Porque, neles, às vezes, em lugar de nossa imagem, assombra-nos alguma outra e medonha visão. Sou, porém, positivo, um racional, piso o chão a pés e patas. Satisfazer-me com fantásticas não-explicações? – jamais. Que amedrontadora visão seria então aquela? Quem o Monstro?”

O Espelho, de João Guimarães Rosa.



Para um dia de revelações

001peqO real é oco, coxo, capenga.
O real chapa.
A imaginação voa.

Waly Salomão



Tem dia que é assim.
7 Abril 2009, ---
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Quero sempre fazer, ao mesmo tempo, três ou quatro coisas diferentes; mas no fundo não só não faço, mas não quero mesmo fazer nenhuma delas. A ação pesa sobre mim como uma danação: agir, para mim, é violentar-me.

Fernando Pessoa



Carolina, você não tinha o direito de pular.
6 Abril 2009, ---
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Fazendo uma pesquisa para o tcc, por indicação da Talita, me deparei com esse blog. Concentração total até um minuto atrás. Até o minuto em que Carolina pulou.

RONDA

(Para Carolina Passos)

Carolina, você não tinha o direito de pular. Você não tinha direito de se transformar no meu penhasco. Porque eu sou bem moço e já tenho o meu próprio penhasco (um grande e confortável penhasco de três quartos na Barra). Carolina, sua filha da puta. Eu te amo, eu te amo, eu te amo e merecia muito muito muito morrer bem antes de você. Porque eu sou bem moço e já tenho o meu próprio penhasco (um penhasco com vista para o mar). E porque eu não merecia, eu simplesmente não merecia. Não sou melhor do que ninguém, mas eu não merecia mendigar a Deus que você volte, toda durinha, linda linda linda de doer, só para ouvir os palavrões dos homens rudes que bebem nos bares, dos homens nojentos que nunca lhe amaram. Mas eu? Eu não merecia, eu sempre te amei e não merecia. Eu te odeio, sua filha da puta. Você é quem merecia me ver morrer todos os dias, Carolina. Você é uma filha da puta e eu te amo e juro que te odiarei para sempre. Porque eu deitei sobre sua sepultura com a garganta em sangue e quarenta graus de febre. Porque eu gritei que te amo e que te odeio e que te amo e que te odeio para Botafogo inteiro ouvir. “Saudades eternas”, eu vi que seu nome estava bordado em uma coroa de flores, ao lado da minha sentença. Você não tinha o direito de ser meu penhasco, sua filha da puta. Eu te amo, se você soubesse o quanto eu te odeio.

André Dahmer me fez chorar, é cartunista e escritor. E fumante.



Não?
6 Março 2009, ---
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DE NOITE, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem as trevas
como um duplo tambor combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas

Pablo Neruda



Capitu, é? Beirut, Bentinho…
14 Fevereiro 2009, ---
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Esse post era pra falar de uma coisa, acabou em outra. Mas quase tudo por aqui é assim.

Olha, eu não sei o que aconteceu enquanto na minha tv passava Sex & The City. E como o Fábio estava de férias, fiquei sem saber das notícia da daqui.

De qualquer forma, Capitu, para mim continua sendo a amada de Bentinho em Dom Casmurro.Mas se você achou o DVD (uma história que eu não entendi direito), me empresta que eu quero ver.

Mas eu to falanso disso aqui porque Elephant Gun, do Beirut, faz parte da trilha sonora, né? Entendi porque tem tanta gente elogiando.

De qualquer forma, se você não leu Dom Casmurro, leia. Faça esse favor a você. Obra-prima da literatura brasileira, absurdamente inteligente, fluida, que dá vontade de ler de novo. Daqueles livros que dá vontade de entrar na história e brigar com o personagem e se chora no fim. Como pode uns amores acabarem assim, né…

Me dá raiva de Bentinho. Indenpendente da atitude de Capitu, de ser verdade mentira, falsidade, sei lá. Mas Bentinho é do tipo que se boicota. Porque ele chega a aquela situação porque quis, porque não enxergou um palmo a frente do nariz, porque não conhecia a pessoa com quem convivia desde a infância. Ou pior, conhecia, mas preferiu a paranóia. É Bentinho, ser feliz dá trabalho e é preciso coragem. Você era preguiçoso e medroso. E eu repudio pessoas que tem medo de ser feliz…

Numa outra oportunidade, falo da Capitu.



Neruda antes de começar a semana
22 Setembro 2008, ---
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Nunca fui a pessoa mais apaixonada por poesia neste mundo. Gosto de Hilda Hilst e só. Ela traduz as urgências e dores e amores como ninguém. Sem dúvida, ela é mais legal que os outros. Perdeu feio para Vinícius, que dá nome este blog, na poesia e na vida. Ah, Hilda, o mundo é melhor porque você pasou por aqui.

Enfim, tem mais gente boa neste mundo. Neruda? Não li tudo – li quase nada, na verdade. Mas tem alguma coisa nele que me desperta simpatia. E por acaso, procurando um email sobre usabilidade (é sério), achei O Teu Riso numa mensagem de uma amiga muito querida, mas que anda bem sumida. Aline, que bizarra coincidência*, é uma das pessoas mais queridas que eu conheci na Cásper. Horas de conversa sobre tcc, banca, “não gosto mais do meu livro”, “meu estágio de merda”, e tudo o mais que há no mundo. E eu sinto a maior saudade daquele tempo e do scarpin lindo que ela usava…

Ando numa fase de saudades de tudo – até saudade de amanhã, como dizia Felipe Mortara, antes de viajar.

Ah, sim. O poema de Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Ele era bem amigo de Vinícius mesmo.

*Bizarra coincidência II: ele odeia Adele, Chasing Pavements mais do que as outras. E bem essa começa a tocar agora.



O filme que Mojica não fez
20 Agosto 2008, ---
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Quando se é cineasta, há o risco de você fazer um projeto e não sair do papel, ou do argumento. Na verdade, é certo que você não vai filmar tudo o que quer. E isso acontece com todo mundo, desde meus amigos que estão se formando na Anhembi até David Lynch.

Com Mojica não foi diferente, mas pensando pelo tema e como a história começou a ser estruturada, acho que foi muito bom que ele não realizasse. O livro O Maldito, de Andre Barcinski e Ivan Finotti, explica direito a história:

“O roteiro de “Os Sapos” misturava mensagens ecológicas e parapsiocologia, numa historia das mais excêntricas: tudo começava numa indústria que preparava carne de rã para restaurantes chiques. Os Sapos – aparentemente imbuídos de consciência de classe – se revoltam com a chacina de seus semelhantes e atacam a cidade. A única esperança de salvação para os humanos é o professor Backer, um cientista de poderes paranormais, que consegue se comunicar telepaticamente com o lider dos batráquios, um sapão dourado e voador.”

Agora pense num adorável sapo gigante e dourado com consciência de classe.

Eu não li, mas parece que o livro tem outras boas histórias do mestre do TERROR, e não do Terrir.

Maldito: a vida e o cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão.
André Barcinskie Ivan Finotti
Editora 34
446 p.
R$ 49,00
Tem aqui.